domingo, 25 de janeiro de 2015

Dois dias no Hangar

Fui convidado para passar o fim de semana num hangar, na cidade de Tietê, registrando o treinamento de uma equipe de acrobacias aéreas. Aviação nunca foi algo pelo qual me interessei muito, menos ainda aviação acrobática. Mas não podia perder a oportunidade, afinal coisas diferentes me atraem. Peguei minha Canon T5i e fui ver no que daria essa viagem.

Logo que chegamos, subimos as escadas que davam para  garagem do hangar. Uau! Máquinas lindas! Para quem não tinha muito interesse por aviação fiquei bastante empolgado. Não perdi tempo, comecei a clicar feito louco. Haviam diversos aviões de pequeno porte no hangar (o maior deles tinha 4 lugares) e logo descobri que meus alvos seriam dois: um Citabria amarelo e um Super Decathlon azul. Sobre os aviões em si eu não sabia nada, só sabia que eram realmente lindos. Concentrei meus esforços fotográfico neles.

Logo o instrutor chegou e começou a passar instruções para os futuros competidores. Fui registrando, ansioso para ver o treino começar. Quando os motores começaram a roncar subiu aquela emoção! Entre idas e vindas dos aviões registrei tudo o que pude. Decolagens, vôos, aterrissagens... tudo!

Conversando com o pessoal descobri muita coisa sobre esse mundo. Uma coisa em comum entre eles: todos sempre foram apaixonados por aviação desde muito pequenos. Na maioria dos casos era uma tradição passada por gerações. Um dos colegas já havia sofrido um acidente grave em um ultraleve. Perguntei se não teve medo de voar depois do acidente: "Não, jamais... não vivo sem isso". Todos lá respiravam aviação e me passavam uma emoção impossível de não gostar, impossível de não querer.

A tarde caiu e os treinos cessaram, Considerações finais para os competidores e mais tarde um churrasquinho regado à muita música e diversão. Sentados em roda, com um dos nossos amigos ao violão, demos muitas risadas e cantamos velhos clássicos do rock. Tive aquela sensação gostosa, bucólica, de estar no meio do nada curtindo a simplicidade. Foi um daqueles momentos que nos perguntamos o que estamos fazendo com as nossas vidas, correndo feito loucos pra lá e pra cá atrás de sucesso, dinheiro, etc. Reflexões à parte, já era hora de dormir que o dia seguinte prometia muita coisa.

Logo cedo os preparativos para uma nova bateria de treinos começou. Então decidiram que eu voaria no Citabria para fazer fotos de cima. Fiquei empolgadíssimo e com certo medo mas pensei "Não vim até aqui para dizer não".

Algumas instruções básicas sobre para-quedas e vamos lá! Na decolagem já senti aquele frio gostoso na barriga. Já foi maravilhoso o passeio básico de avião, mas o meu piloto estava lá para treinar acrobacias e eu estava ficando tenso, sabendo o que viria pela frente. Logo o piloto olhou pra trás e disse que iria iniciar as acrobacias. As sensações eram muitas: medo, ansiedade, angústia, alegria, euforia... mas eu disse "Ok, estou pronto".

A primeira manobra foi um looping. Achei que iria morrer, mas me surpreendi comigo mesmo. Foi uma das sensações mais incríveis da minha vida. Enquanto estávamos de cabeça para baixo senti que nada mais nesse mundo importava, eu estava livre. Mais manobras, mais emoções. Não queria descer nunca mais. Eu estava nas nuvens, de corpo e alma.

Quando aterrissamos e desci do avião, toda a equipe veio me ver para saber como eu estava. Alguns nem precisaram perguntar. Meu sorriso e o brilho nos meus olhos diziam tudo. Alguns me parabenizaram por não ter passado mal. Impossível passar mal com sensações tão maravilhosas. Lembrei de quando perguntei para um dos colegas "O que você sente quando está lá em cima?" e obtive a resposta, sem hesitação, "Liberdade".

O pôr do sol no fim do dia me proporcionou um último deleite, e então arrumamos nossas coisas para voltar à São Paulo. No caminho de volta, enquanto eu dirigia, meus companheiros conversavam, quando um deles disse ao outro "Você não tem a impressão de estarmos num sonho?" Respondi em silêncio para mim mesmo, enquanto conversavam: "Sim, e é uma pena ter de acordar deste sonho".

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